O mercado de peças auto na Arábia Saudita é um dos maiores da região, e as razões são claras: uma frota automóvel numerosa, distâncias longas e um clima severo que desgasta as peças mais depressa. Mas é também um dos mercados mais regulados e vigiados, e por boa razão: uma peça de má qualidade no sistema de travagem não é um prejuízo financeiro — é um risco para vidas humanas.
Conformidade: as peças auto não são mercadoria comum
As peças de veículos estão sujeitas a regulamentos técnicos no âmbito do sistema da Autoridade Saudita para a Normalização, Metrologia e Qualidade (SASO) e são registadas através da plataforma SABER, para obter o certificado de produto (PCoC) e, em seguida, o certificado de remessa (SCoC) para cada expedição. A diferença face às outras categorias está no rigor dos requisitos de ensaio, sobretudo nas peças de segurança:
- Travões de todos os tipos: pastilhas, discos e líquidos.
- Pneus — que têm requisitos próprios, explicados adiante.
- Peças dos sistemas de suspensão e de direção.
- Para-brisas e restantes vidros do veículo.
- Airbags e cintos de segurança.
- Lâmpadas e sistemas de iluminação.
Não compre a uma fábrica que não possua relatórios de ensaio válidos para estes artigos. A fábrica que diz «exportamos muito para a Arábia Saudita» e não consegue enviar um relatório de ensaio de um laboratório acreditado não é uma opção.
Pneus: a regra da data de fabrico
Este é o ponto que os importadores novos mais desconhecem e que lhes custa uma expedição inteira. A borracha envelhece com o tempo, mesmo sem ser usada, e por isso não são aceites os pneus cuja data de fabrico ultrapasse o limite regulamentar. A data de fabrico vem gravada no flanco do pneu, num código DOT de quatro dígitos que indica a semana e o ano.
Na prática: exija no contrato que a data de fabrico dos pneus fique dentro de um período curto face à data de embarque e peça fotografias dos códigos DOT de amostras aleatórias antes do carregamento, e não depois. Há fábricas que escoam stock antigo nas expedições de exportação, e descobri-lo depois da chegada significa mercadoria que não entra nem se vende.
E lembre-se de que o clima do Reino impõe uma consideração adicional: os índices de velocidade e de carga e a resistência ao calor contam realmente em estradas longas e com temperaturas elevadas — não são números no papel.
Original, alternativa e contrafeita: três coisas diferentes
A confusão entre estes termos apanha muita gente:
- Original (OEM): peça produzida por conta do construtor automóvel e que ostenta a marca dele. Não a pode importar a partir de uma fonte não autorizada.
- Alternativa (aftermarket): peça produzida por outra empresa, com a marca própria dessa empresa, para servir modelos determinados. É este o campo legítimo do importador independente, e nele existem marcas internacionais respeitadas e também boas marcas chinesas.
- Contrafeita: peça que ostenta a marca do construtor automóvel, ou a marca de uma empresa alternativa conhecida, sem autorização. É contrafação em todo o sentido do termo, e o seu destino é a apreensão, a destruição e a responsabilização do importador.
Construa o seu negócio sobre a segunda categoria. Peça ao fornecedor que as peças tenham a marca dele ou a sua própria marca, com uma indicação clara de compatibilidade com os modelos — e não logótipos de empresas cujo uso não lhe pertence.
Compatibilidade: o número da peça importa mais do que a fotografia
A maior causa de recusa por parte dos clientes no comércio de peças auto é a falta de correspondência. A peça pode ser excelente de fabrico e não montar no automóvel. Controle isso em três passos:
- Baseie-se no número de referência da peça e não na fotografia nem no nome descritivo.
- Peça uma tabela de compatibilidade que indique o modelo, os anos de fabrico e o tipo de motor.
- Monte uma amostra num automóvel real antes de aprovar a encomenda completa. Um único ensaio de cem riais poupa a recusa de um contentor.
E tenha em conta que o parque automóvel saudita tem a sua especificidade: proporções elevadas de determinados modelos, e motorizações e especificações regionais que podem diferir das dos outros mercados. Compre para aquilo que anda nas estradas daqui, e não para aquilo que a fábrica vende ao mercado europeu.
Rotulagem e embalagem
A embalagem deve apresentar dados claros: o nome da peça e o seu número de referência, a marca, o país de origem, o número de lote e os dados do fabricante, com a língua árabe nas informações dirigidas ao consumidor. E aqui a boa embalagem não é uma questão de aparência: as peças metálicas tocam-se, riscam-se e enferrujam numa viagem marítima longa, com humidade elevada. Exija embalagem individual e proteção anticorrosão para as peças metálicas expostas.
A estratégia prática do importador
Comece por categorias de rotação rápida e de menor risco regulamentar: filtros, velas de ignição, escovas limpa-para-brisas, baterias pequenas, sensores correntes e peças do sistema de arrefecimento. E deixe as peças críticas de segurança para uma fase em que já tenha construído uma relação documentada com uma fábrica que possua relatórios de ensaio válidos e um historial real de exportação para a região. Nesta categoria, a reputação constrói-se devagar e destrói-se com uma única expedição de má qualidade.