Os cosméticos são uma categoria rentável e de crescimento rápido na Arábia Saudita e, ao mesmo tempo, uma das mais fortemente regulamentadas. A diferença entre um importador bem-sucedido e outro que perde a remessa inteira não está no preço nem no fornecedor, mas num processo regulamentar que tem de começar antes de a fábrica iniciar a produção.
Qual é a entidade reguladora e o que exige?
Os cosméticos no Reino estão sob a supervisão da Autoridade Saudita de Alimentos e Medicamentos (SFDA), e não apenas sob o percurso habitual da plataforma SABER. O percurso prático assenta em três pilares:
- Registo da entidade: o próprio importador tem de estar registado junto da SFDA e de dispor de uma licença de atividade adequada. A importação não pode começar antes de esta etapa estar concluída.
- Notificação do produto: cada produto é notificado individualmente por via eletrónica antes de ser importado, com pormenores que incluem a marca comercial, a fórmula, a finalidade, o fabricante e o país de origem.
- Libertação no posto de entrada: à chegada da remessa é solicitada a libertação da expedição e podem ser recolhidas amostras para análise. Uma remessa cujos produtos não tenham sido previamente notificados não encontra via para ser libertada.
Inicie estes procedimentos logo no começo da negociação com a fábrica, e não depois de a mercadoria ser embarcada. Os cosméticos são mercadoria com data de validade, e cada semana de atraso retira-lhes tempo de vida comercial.
Ingredientes: onde as remessas são realmente recusadas
Nesta categoria, a recusa vem quase sempre da própria fórmula. Existem listas de substâncias proibidas e outras restringidas a percentagens determinadas, e algumas substâncias que se vendem livremente noutros mercados são aqui totalmente interditas. Os exemplos que mais problemas causam:
- Os agentes fortes de branqueamento da pele, como a hidroquinona e os compostos de mercúrio — um ponto muito sensível nos produtos de branqueamento provenientes de certas fábricas.
- A cortisona e os seus derivados em cremes comercializados como produtos cosméticos.
- Corantes e pigmentos não autorizados, em particular nos produtos que entram em contacto com os olhos ou com os lábios.
- A ultrapassagem dos limites permitidos de metais pesados, como o chumbo e o cádmio, enquanto impurezas.
A regra prática: peça à fábrica a fórmula completa com os nomes INCI e a percentagem de cada ingrediente e confronte-a com as listas oficiais antes da produção. Não aceite a expressão «conforme com as normas internacionais» sem um documento que a sustente. Peça também um relatório de ensaio de metais pesados e de microbiologia emitido por um laboratório acreditado.
Dossiê de informações do produto e avaliação de segurança
Guarde, para cada produto, um dossiê que reúna: a fórmula completa, as especificações das matérias-primas, os relatórios de ensaio, a descrição do processo de fabrico e o certificado de boas práticas de fabrico da fábrica, os resultados do ensaio de estabilidade (Stability) que define o prazo de validade, e uma avaliação de segurança do produto acabado. Este dossiê não é um luxo administrativo: é aquilo de que necessita perante qualquer pedido de esclarecimento das autoridades e é também o que o protege perante o cliente caso surja uma reclamação.
O rótulo em árabe: pormenores pequenos que imobilizam remessas
O rótulo de um produto cosmético é mais detalhado do que o de qualquer outro produto de consumo. Tem de indicar em árabe:
- O nome do produto e a finalidade da sua utilização.
- A lista completa de ingredientes com os nomes INCI, por ordem decrescente de percentagem.
- O conteúdo líquido em peso ou em volume.
- O número de lote e as datas de fabrico e de validade, impressos na própria embalagem e não numa etiqueta que se possa retirar.
- O nome do fabricante, a sua morada e o país de origem, bem como o nome do importador.
- As advertências de utilização e o modo de conservação.
Envie o ficheiro do rótulo já pronto à fábrica e peça uma fotografia de alta resolução da embalagem impressa antes da produção completa. Corrigir a impressão das embalagens depois de chegarem ao porto é caro e lento, e voltar a etiquetar dezenas de milhares de embalagens pode custar mais do que a margem da remessa.
O prazo de validade remanescente à chegada
Não aceite da fábrica mercadoria fabricada há muitos meses. A mercadoria precisa de prazo de validade remanescente suficiente quando chega ao posto de entrada, para ser aceite e para ter uma vida comercial razoável no mercado. Estipule no contrato uma data de fabrico mínima associada à data de embarque e peça fotografias das datas impressas nas embalagens antes do carregamento.
Considerações sobre o mercado saudita
Para além da regulamentação, há um mercado com características próprias: a procura é elevada nos produtos de cuidado da pele, de proteção solar e nos cosméticos para ocasiões especiais, e o comprador saudita é sensível aos ingredientes e procura-os efetivamente. A divulgação clara da fórmula e a indicação de que o produto está isento de determinados ingredientes são uma verdadeira vantagem comercial, e não apenas uma obrigação regulamentar. Quanto à embalagem, a qualidade percetível do frasco faz uma grande diferença nesta categoria em particular, porque se vende pela primeira impressão.