Na maioria dos países, uma falha documental ainda pode ser corrigida depois da chegada da mercadoria. No Egito existe um passo que não admite correção: o número ACID. Trata-se de um número obtido previamente na plataforma NAFEZA e associado à remessa antes de esta sair da China, e que tem de constar nos documentos de embarque. A remessa que zarpa sem um número ACID válido arrisca-se à recusa dos procedimentos no porto e à devolução por conta do importador. Por isso, no Egito, a ordem de trabalho começa no escritório e não na fábrica.
O que é o número ACID e porque é o passo mais importante da remessa?
ACID é a sigla da declaração antecipada da informação sobre a carga. É o importador egípcio quem apresenta o pedido na plataforma NAFEZA antes do embarque, sendo emitido um número atribuído especificamente àquela remessa, que é depois enviado ao fornecedor chinês para que este o inscreva na fatura, no conhecimento de embarque (B/L) e nos restantes documentos. O objetivo do sistema é que os dados e os documentos da remessa cheguem às alfândegas por via eletrónica antes da própria mercadoria, para que a avaliação e a verificação comecem cedo. Na prática, isto significa que o seu calendário tem de deixar folga suficiente entre a emissão do ACID e a data de partida, em vez de correr atrás do navio.
Qual é a ordem dos passos entre o importador e o fornecedor?
| Etapa | Responsável | Momento | Resultado |
|---|---|---|---|
| Registo na plataforma NAFEZA | Importador egípcio | Uma única vez, antes da primeira remessa | Conta ativa na plataforma |
| Pedido do número ACID para a remessa | Importador egípcio | Com antecedência suficiente face ao embarque | Número ACID atribuído à remessa |
| Comunicação do número ao fornecedor | Importador | Logo após a emissão | Inscrição do número nos documentos |
| Envio dos documentos por via eletrónica | Fornecedor chinês | Antes da partida | Dossiê documental associado ao número ACID |
| Revisão e aceitação dos documentos | Importador | Antes da partida | Dossiê completo e coerente |
| Embarque, chegada e desalfandegamento | Transitário e despachante oficial | Depois de concluído tudo o que precede | Autorização de saída alfandegária |
Esta ordem não é uma sugestão organizativa, mas uma condição prática: qualquer passo executado fora do seu lugar neste quadro transfere o respetivo custo para o porto.
É obrigatório registar a fábrica chinesa no Egito?
Sim, para muitas categorias. A Autoridade Geral de Controlo das Exportações e Importações (GOEIC) exige o registo das fábricas ou das empresas detentoras das marcas num registo próprio antes da importação dos seus produtos, para listas determinadas de mercadorias que incluem habitualmente produtos de consumo, têxteis, eletrodomésticos e outros. O registo é da responsabilidade da fábrica ou do titular da marca, exige um dossiê de documentos e certificados e pode demorar bastante tempo. A pergunta a fazer ao fornecedor chinês logo na primeira conversa é esta: a sua fábrica está registada junto da autoridade para esta categoria? Peça prova documental e não construa um plano de importação sobre a promessa de um registo posterior. Confirme com o seu despachante oficial as listas em vigor das categorias abrangidas, uma vez que são atualizadas por decisões oficiais.
Quais são os portos egípcios e qual deles serve a sua remessa?
- Porto de Alexandria e terminal de El Dekheila: o maior no Mediterrâneo, serve o Cairo, o Delta e o Baixo Egito.
- Porto de Damietta: adequado ao leste do Delta e com um terminal de contentores ativo.
- Porto de Port Said: junto à entrada norte do Canal do Suez, forte em serviços de transbordo.
- Porto de Ain Sokhna: no Mar Vermelho, mais próximo da Grande Cairo e das zonas industriais a leste do Cairo, e por vezes com um tempo de trânsito mais curto vindo da Ásia, por não exigir a passagem pelo canal.
O prazo estimado a partir dos principais portos chineses situa-se habitualmente entre 20 e 35 dias, consoante o porto, o serviço e o número de escalas de transbordo, e a grupagem (LCL) acrescenta uma semana ou mais. Escolha o porto em função da localização do seu armazém e do custo do transporte interno, pois a diferença rodoviária entre Ain Sokhna e Alexandria pode inverter por completo a comparação.
A quanto ascendem os direitos aduaneiros e os impostos?
Os direitos aduaneiros no Egito variam consoante a posição pautal e não existe uma taxa única uniforme; alguns bens destinados à produção têm taxas baixas, ao passo que as taxas sobem nos produtos acabados. Acresce o IVA à taxa de 14 % enquanto taxa geral, havendo categorias com tratamento distinto, além de taxas e serviços portuários. Calcule também o efeito da taxa de câmbio utilizada na avaliação aduaneira sobre o seu custo final. Peça ao seu despachante oficial uma estimativa escrita com base no HS code antes de contratar com a fábrica.
O que deve ser verificado quanto às transferências bancárias?
O financiamento da importação no Egito passa pelo banco, através de instrumentos como a cobrança documentária ou o crédito documentário (L/C), consoante o caso, e tanto os requisitos de disponibilização de divisas como os procedimentos bancários associados à importação podem mudar por decisão das entidades competentes. Não se guie pela experiência de uma remessa anterior: confirme com o seu banco, antes de contratar, qual o instrumento exigido, que documentos serão pedidos e qual o prazo previsto para a execução da transferência. Faça com que as condições de pagamento do contrato com a fábrica chinesa correspondam ao que o seu banco consegue efetivamente executar, pois este é um dos pontos de atrito mais frequentes entre o importador e a fábrica.
Lista de verificação para importar para o Egito
- Ative a sua conta na plataforma NAFEZA com bastante antecedência face à primeira remessa.
- Confirme que a fábrica ou o titular da marca está registado junto da Autoridade de Controlo das Exportações e Importações, caso a sua categoria esteja abrangida, e peça prova documental.
- Determine o HS code e obtenha uma estimativa escrita dos direitos aduaneiros e do IVA.
- Obtenha o número ACID antes do embarque e comunique-o ao fornecedor por escrito.
- Verifique que o número ACID consta da fatura, do conhecimento de embarque (B/L) e dos restantes documentos antes da partida.
- Reveja com o seu banco o instrumento de pagamento e os requisitos da transferência antes de assinar a fatura proforma.
- Escolha o porto com base no custo total do transporte interno e não apenas no frete marítimo.
- Realize a inspeção pré-embarque, segure a remessa e organize o desalfandegamento e o transporte antes da chegada.
Conclusão prática
Resuma o seu plano egípcio numa única frase: nenhuma remessa zarpa sem um número ACID válido e sem uma fábrica registada onde o registo é exigido. A partir daí, o resto do processo passa a ser uma gestão corrente de custo e de tempo. Os regimes, as listas, as taxas e os prazos aqui referidos podem mudar por decisão oficial, pelo que devem ser confirmados junto das entidades oficiais, do seu banco e do seu agente de navegação no momento do embarque. Do lado da origem, a «Alshumul Serviços Comerciais», de Guangzhou, encarrega-se da coordenação com a fábrica, da inspeção e do rigor documental, em conformidade com os requisitos da remessa antes do carregamento.