As malas de senhora estão entre as categorias de rotação mais rápida no mercado saudita, e a margem de lucro é aliciante porque o seu valor assenta no design e na impressão que causam, e não apenas no custo dos materiais. Mas é esta mesma categoria que acarreta o maior risco jurídico de tudo o que se importa da China — e a origem desse risco não é a qualidade.
O primeiro risco: a contrafação e as marcas registadas
Os mercados de Cantão estão cheios de malas que ostentam logótipos de marcas internacionais ou designs idênticos aos delas. O preço pode parecer uma oportunidade, mas é, na verdade, uma armadilha. A mercadoria que ostenta uma marca registada sem autorização do respetivo titular é considerada produto contrafeito, e o destino do carregamento, à chegada ao porto de Jidá ou de Damã, é a apreensão e a destruição. E a questão não se fica pela perda da mercadoria: estende-se à responsabilização do próprio importador e ao registo da ocorrência contra si.
O erro também não se limita ao logótipo visível. Os padrões distintivos registados, a forma do fecho e até a disposição das cores em algumas marcas são elementos protegidos. A regra segura: importe apenas designs neutros, ou designs que ostentem a sua própria marca. E, se está a construir a sua marca própria, registe-a na Arábia Saudita antes de a imprimir em milhares de peças.
O material: o que está realmente a comprar?
A maioria das malas importadas não é em pele natural, o que não constitui um defeito em si, desde que seja conhecido e declarado. O problema está em o fornecedor lhe vender «pele» querendo dizer outra coisa. Exija a especificação pelo nome:
- Pele natural: indicam-se o animal, a camada (flor ou dividida) e a espessura. É a mais cara, a mais duradoura e a mais pesada.
- PU: o mais generalizado. A diferença essencial entre o barato e o bom está na espessura da camada e no tipo de tecido de suporte que fica por baixo. O de má qualidade estala e descasca ao fim de alguns meses e, no calor de Riade e de Damã, isso acontece mais depressa do que num clima temperado.
- PVC e tecido: para as gamas económicas e as malas de época.
Peça sempre uma amostra cortada que mostre o corte transversal do material, e não apenas uma fotografia da superfície. O corte revela a espessura e o suporte, e não há forma de o embelezar nas fotografias.
Onde falha a mala na prática?
Uma mala não é devolvida por a cor ser ligeiramente diferente, mas sim porque uma das suas partes se partiu. Os pontos de falha são conhecidos e podem ser inspecionados:
- O fecho de correr: a principal causa de reclamações. Exija uma marca de fecho conhecida e indique-a pelo nome na ordem de compra, pois o fecho de proveniência desconhecida falha antes de todos os outros.
- A ligação da alça ao corpo: é o ponto que suporta todo o peso. Verifique a fixação e a existência de reforço interior.
- A costura: o número de pontos por centímetro, a retidão da linha e o remate das pontas do fio. Uma costura solta significa que a peça se desfaz ao fim de algumas semanas.
- Os acessórios metálicos: exija um revestimento que não oxide. O suor e a humidade do litoral revelam depressa um revestimento de má qualidade.
- O forro e o fundo: um forro fino rasga-se, e um fundo sem reforço cede com o uso.
Faça com que a inspeção pré-embarque inclua um teste de carga com um peso razoável sobre a alça, e a abertura e o fecho do fecho de correr várias vezes seguidas, numa amostra de cada lote. Estes dois testes simples revelam a maior parte dos defeitos.
A rotulagem e a embalagem
A mercadoria que entra na Arábia Saudita necessita de um rótulo identificativo claro que indique o material e o país de origem, e a presença da língua árabe é exigida no rótulo do produto exposto ao consumidor. Não deixe isto ao critério do fornecedor: envie-lhe o ficheiro do rótulo já pronto, com o texto, a cor e as dimensões, e peça uma fotografia do rótulo aplicado no produto antes da produção completa.
Quanto à embalagem: um saco de tecido-não-tecido para cada mala protege a superfície e valoriza a impressão no momento da venda; um enchimento interior preserva a forma; e uma caixa de cartão exterior cujos cantos não se esmaguem. A mala que chega amarrotada vende-se com desconto, por melhor que seja a sua qualidade.
A época e as quantidades
A procura de malas na Arábia Saudita sobe visivelmente antes do Eid al-Fitr, do Eid al-Adha e da época do regresso às aulas. O frete marítimo da China para Jidá demora habitualmente cerca de três a quatro semanas, às quais se somam o tempo de produção e o do desalfandegamento. Na prática: inicie a encomenda dois a três meses antes da época. A mala de época que chega depois do Eid vende-se por metade do preço.
E quanto às quantidades: comece por uma seleção limitada de modelos em quantidades médias, em vez de um único modelo em quantidade enorme. As malas são um artigo de gosto, e o verdadeiro teste ao design faz-se no mercado, não no catálogo do fornecedor.