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Importar da China para os Emirados: Jebel Ali, zonas francas, Mirsal 2 e certificado ECAS

O essencial

Para importar da China para os Emirados: decida primeiro se a mercadoria entra numa zona franca, no mercado interno ou se destina a reexportação; obtenha o código aduaneiro da empresa; prepare o certificado ECAS do Ministério da Indústria e Tecnologia Avançada, caso o produto seja regulamentado; e submeta depois a declaração através do Mirsal 2 em Jebel Ali.

O que distingue os Emirados Árabes Unidos dos restantes mercados do Golfo é que a primeira pergunta ali não é «quanto custam os direitos?», mas sim «para onde entra afinal a mercadoria?». O contentor vindo da China tanto pode terminar num armazém de zona franca, como entrar no mercado interno após desalfandegamento completo, ou ainda ser reexpedido para um país terceiro sem chegar a entrar no mercado. A decisão toma-se antes do booking, porque altera em conjunto os documentos, o custo e os impostos.

Devo introduzir a mercadoria numa zona franca ou diretamente no mercado interno?

A mercadoria armazenada numa zona franca é tratada como se estivesse fora do território aduaneiro, pelo que não são devidos direitos enquanto permanecer dentro dos limites da zona. Quando é transferida para o mercado interno (mainland), abre-se uma declaração de entrada e paga-se o direito nesse momento. Se, pelo contrário, for reexportada para um país terceiro, nunca chega a entrar no mercado. Isto é muito útil para quem vende em vários mercados: a expedição é consolidada a partir da China de uma só vez e libertada por lotes, conforme a procura, em vez de se pagarem direitos sobre todo o stock de uma só vez. Em contrapartida, quem vende apenas dentro dos Emirados pode não precisar desta complexidade, bastando-lhe uma entrada direta no mainland.

Quando é exigido o certificado ECAS e quem o emite?

O sistema emiratense de avaliação da conformidade ECAS e o sistema da marca de qualidade EQM dependem do Ministério da Indústria e Tecnologia Avançada (MOIAT), a entidade que substituiu a anterior autoridade de normalização e metrologia (ESMA). O ECAS é exigido para categorias específicas de produtos regulamentados, como os aparelhos elétricos, os produtos para crianças, os materiais de construção e outros; assenta em relatórios de ensaio de um laboratório reconhecido e num dossiê técnico do produto, e dá origem a um certificado de conformidade que é apresentado no desalfandegamento. Já o EQM é uma marca de qualidade voluntária ou obrigatória consoante a categoria, e exige a avaliação do sistema de produção na fábrica. E a marca do Golfo G-Mark continua a ser exigida para as categorias harmonizadas no Golfo, como os brinquedos e os aparelhos de baixa tensão.

Quais são os principais portos dos Emirados e qual se adequa à minha expedição?

PortoServe sobretudoTempo de viagem estimado a partir do sul da China
Jebel Ali (DP World)Dubai, Sharjah e os emirados do norte; o maior centro de transbordo e de reexportação da região16–26 dias
Porto Khalifa (Abu Dhabi)Abu Dhabi, a zona industrial KIZAD e o oeste18–28 dias
Porto Rashid (Dubai)Carga geral e navios de cruzeiro, com um papel complementar ao de Jebel Ali16–26 dias
Khor Fakkan / Fujairah (costa leste)Transbordo no mar de Omã sem passar pelo estreito de Ormuz15–24 dias
Frete aéreo (Dubai / Abu Dhabi / Sharjah)Amostras, peças urgentes e mercadorias de elevado valor3–7 dias

Os números são estimativas e variam com a época do ano, o congestionamento das linhas e o número de escalas de transbordo, pelo que deve pedir ao transportador um horário concreto no momento do booking.

Como funciona o sistema Mirsal 2 no desalfandegamento?

As alfândegas do Dubai utilizam o sistema Mirsal (Mirsal 2) para a submissão eletrónica das declarações aduaneiras, ao passo que Abu Dhabi e os restantes emirados têm sistemas próprios, ligados à Autoridade Federal das Alfândegas. No Mirsal, o tipo de declaração é escolhido em função do movimento da mercadoria: importação para consumo interno, entrada em zona franca, reexportação ou trânsito. Escolher o tipo errado é um dos erros mais caros, porque a correção obriga a um procedimento posterior. Os documentos habituais são: a fatura comercial, a lista de embalagem, o conhecimento de embarque, o certificado de origem, o código aduaneiro da empresa e os certificados de conformidade, caso o produto seja regulamentado.

Quais são os direitos aduaneiros e o IVA nos Emirados?

Os direitos aduaneiros correntes são de 5 % sobre a maioria das mercadorias, ao abrigo da pauta aduaneira unificada do Golfo, havendo categorias isentas e outras com taxas específicas. O IVA é de 5 % e, para as entidades registadas, existem mecanismos contabilísticos na importação que são tratados na declaração periódica. A mercadoria que permanece dentro da zona franca e a que é reexportada têm um tratamento diferente do da mercadoria que entra no mainland. Confirme junto da entidade oficial ou do seu consultor fiscal no momento da expedição, pois os pormenores mudam e variam consoante a sua atividade.

Lista de verificação para importar da China para os Emirados

  1. Defina primeiro o percurso da mercadoria: mercado interno, armazenamento em zona franca ou reexportação.
  2. Confirme que a sua licença comercial permite a atividade e obtenha o código aduaneiro da empresa (Customs Code).
  3. Determine o HS code e verifique a taxa dos direitos e se o produto se inclui nas categorias regulamentadas.
  4. Prepare o certificado ECAS ou a G-Mark, se forem exigidos, com os relatórios de ensaio e o dossiê técnico.
  5. Reveja os dados do rótulo, a embalagem e os requisitos linguísticos do produto.
  6. Realize uma inspeção pré-embarque na fábrica do fornecedor antes de transferir o remanescente do valor.
  7. Faça coincidir a fatura, a lista de embalagem e o conhecimento de embarque em todos os pormenores numéricos.
  8. Escolha o tipo de declaração correto no Mirsal ou no sistema do emirado em causa.
  9. Defina o transporte do cais até ao armazém antes da chegada do navio.
  10. Guarde os originais dos documentos, pois são exigidos numa reexportação posterior.

Conclusão prática

A verdadeira vantagem dos Emirados não é apenas a baixa dos direitos, mas a flexibilidade do percurso: uma zona franca que adia os direitos e serve vários mercados, e uma infraestrutura portuária que faz de Jebel Ali e de Khor Fakkan um ponto de distribuição e não um ponto final. Mas essa flexibilidade exige uma decisão precoce, um tipo de declaração correto e um dossiê de conformidade pronto antes da partida do navio. Os regulamentos e os direitos são atualizados continuamente, pelo que deve confirmar junto da entidade oficial no momento da expedição. Do lado do exportador na China, a Alshumul Serviços Comerciais, de Guangzhou, encarrega-se da auditoria do fornecedor, da inspeção pré-embarque, da grupagem das expedições e da preparação dos documentos em conformidade com o percurso de entrada que tiver escolhido.

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Perguntas frequentes sobre este tema

O que os clientes mais perguntam antes da primeira expedição ou do primeiro projeto técnico.

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A mercadoria numa zona franca é tratada como se estivesse fora do território aduaneiro, pelo que não são devidos direitos enquanto permanecer dentro dos seus limites, e só entra no mercado interno depois de aberta uma declaração de entrada e pago o montante devido. No mainland, o desalfandegamento faz-se de uma só vez, à entrada. A zona franca é adequada a quem distribui por vários mercados ou liberta o stock por lotes.

Não. É exigido para as categorias regulamentadas definidas pelo Ministério da Indústria e Tecnologia Avançada, como um conjunto de aparelhos elétricos, produtos para crianças e materiais de construção. Os produtos fora das listas regulamentadas não precisam dele, mas podem estar sujeitos a outros requisitos ou à marca do Golfo G-Mark. Verifique a categoria do seu produto através do HS code antes da produção, pois as listas são atualizadas.

A importação comercial exige uma licença válida que permita a atividade e um código aduaneiro de empresa a ela associado, quer a licença seja do mainland quer de uma zona franca, consoante o percurso da mercadoria. As pequenas expedições pessoais têm um tratamento diferente e limites de valor próprios. Se não tiver uma entidade registada, a alternativa prática é trabalhar através de um importador ou de um despachante oficial licenciado.

Os portos da costa leste situam-se no mar de Omã, fora do Golfo Pérsico, pelo que são muito usados como plataformas de transbordo e como pontos de descarga sem passar pelo estreito de Ormuz. Isso dá flexibilidade na calendarização e, por vezes, um tempo mais curto para a carga vinda do Extremo Oriente. A escolha entre a costa leste e Jebel Ali depende da linha de navegação disponível, da localização do seu armazém final e do custo do transporte terrestre.

O frete marítimo direto dos portos do sul da China até Jebel Ali demora habitualmente cerca de 16 a 26 dias e, a partir dos portos do norte, o número tende para o limite superior ou mais, se o percurso incluir transbordo. Acrescente o tempo de booking, o transporte interno na China e alguns dias para o desalfandegamento. O frete aéreo demora normalmente de 3 a 7 dias. Os números são estimativas e variam consoante a época e o congestionamento das linhas.

O IVA nos Emirados é de 5 % e, para as entidades registadas, existem mecanismos contabilísticos na importação que são incluídos na declaração periódica, em vez do pagamento em numerário em cada expedição. A mercadoria que permanece dentro da zona franca ou que é reexportada para fora do país tem um tratamento diferente do da que entra no mainland. Consulte a autoridade fiscal oficial ou o seu consultor, pois o tratamento depende da sua situação de registo e do tipo de movimento.

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