Consulta gratuita

Certificados de conformidade na importação: SASO/SABER, ECAS e CE — o que precisa para cada mercado

O essencial

O certificado de conformidade é um documento que comprova que o seu produto cumpre os requisitos do mercado importador e é normalmente exigido antes do desalfandegamento. Cada mercado tem o seu sistema: o SABER e a SASO na Arábia Saudita, o ECAS e a marca EQM nos Emirados Árabes Unidos, a marcação CE na União Europeia e a marca de qualidade do Golfo (G-Mark) para categorias específicas. Os requisitos mudam, por isso confirme junto da entidade oficial antes de cada remessa.

O que é um certificado de conformidade e porque é exigido?

O certificado de conformidade (Certificate of Conformity) é um documento emitido por uma entidade acreditada que comprova que um determinado produto cumpre requisitos técnicos em vigor no mercado importador: segurança, desempenho, rotulagem e, por vezes, eficiência energética. As alfândegas da maioria dos mercados do Golfo e da região árabe exigem este documento no desalfandegamento dos produtos abrangidos, e a sua ausência significa a paragem da remessa no porto e a acumulação de taxas de permanência e de armazenagem.

A regra de ouro: a conformidade resolve-se antes da produção e não depois do embarque. Alterar um material ou um rótulo depois do fabrico significa produzir de novo, e alterá-lo depois de o contentor chegar pode significar reexportação ou destruição.

Qual é a diferença entre o certificado de conformidade do produto e o certificado de conformidade da remessa?

  • Certificado de conformidade do produto (PCoC): diz respeito ao próprio modelo, é emitido com base em relatórios de ensaio de um laboratório acreditado, tem um prazo de validade definido e serve todas as remessas desse modelo enquanto se mantiver válido.
  • Certificado de conformidade da remessa (SCoC): diz respeito a uma remessa concreta, com a sua fatura e a sua quantidade, e é emitido para cada remessa individualmente com base no certificado de produto em vigor.

A confusão entre os dois é uma das causas de atraso mais frequentes: o importador tem um certificado de produto válido, julga que basta, e a remessa chega sem certificado de remessa.

Que certificado é exigido em cada mercado?

MercadoEntidade responsávelSistema / certificadoNotas
Arábia SauditaOrganização Saudita de Normalização, Metrologia e Qualidade (SASO)Plataforma SABER: certificado de conformidade do produto (PCoC) e depois certificado de conformidade da remessa (SCoC)O produto é registado eletronicamente através de um organismo de avaliação da conformidade acreditado; os produtos regulados estão sujeitos a um regulamento técnico específico
Emirados Árabes UnidosMinistério da Indústria e Tecnologia Avançada (MOIAT) — anteriormente ESMASistema de Avaliação da Conformidade dos Emirados (ECAS) e marca de qualidade dos Emirados (EQM) para as categorias elegíveisO registo é eletrónico e algumas categorias têm regulamentos próprios, como os produtos elétricos e os materiais em contacto com alimentos
CatarMinistério do Comércio e da Indústria — Autoridade Geral de Normalização e MetrologiaCertificado de conformidade para os produtos abrangidos, antes do desalfandegamentoSão exigidos relatórios de ensaio de laboratórios acreditados; consulte as listas de produtos abrangidos antes do embarque
KuwaitAutoridade Pública para a Indústria (PAI)Programa KUCAS, relatório de inspeção técnica (TIR) e certificado de conformidade da remessaEm regra, o procedimento tem de estar concluído antes de a mercadoria sair do país de origem
OmãMinistério do Comércio, da Indústria e da Promoção do Investimento (MOCIIP)Requisitos de conformidade para os produtos restritos, segundo os regulamentos técnicos em vigorAlgumas categorias exigem registo prévio ou a autorização adicional de uma entidade competente
BarémMinistério da Indústria e do ComércioRequisitos de conformidade para as categorias reguladas, com adoção das normas do GolfoSão geralmente aceites os relatórios de ensaio conformes às normas da Organização de Normalização do Golfo
IémenOrganização Iemenita de Normalização, Metrologia e Controlo da Qualidade (YSMO)Programa de verificação da conformidade e emissão do certificado de conformidade através de entidades acreditadasOs pormenores e a aplicação variam de posto para posto; é indispensável confirmar com o importador local e com o agente antes do embarque
EgitoAutoridade Geral para o Controlo das Exportações e Importações (GOEIC)Registo da fábrica exportadora para categorias específicas, com o sistema de informação antecipada sobre as remessas (ACI / Nafeza)O número ACID é obtido antes do embarque e a sua ausência bloqueia a autorização de saída alfandegária
União EuropeiaAutoridades nacionais de fiscalização do mercadoMarcação CE com a declaração de conformidade UE (DoC) e um processo técnicoAlgumas categorias de risco elevado exigem a intervenção de um organismo notificado (Notified Body); para o Reino Unido aplica-se a marcação UKCA
Países do Golfo (categorias específicas)Organização de Normalização do Golfo (GSO)Marcação de conformidade do Golfo (G-Mark)Aplicada a categorias como os aparelhos elétricos de baixa tensão e os brinquedos, e aposta no produto e na embalagem

Aviso importante: os regulamentos técnicos e as listas de produtos abrangidos mudam continuamente e variam consoante o código pautal (HS Code) e a natureza do produto. Considere esta tabela um mapa inicial de orientação e confirme junto da entidade oficial ou de um organismo de avaliação da conformidade acreditado antes de cada remessa.

Que documentos são necessários para emitir o certificado de conformidade?

  1. Relatório de ensaio de um laboratório acreditado (de preferência acreditado segundo a norma ISO/IEC 17025) e conforme à norma exigida no mercado de destino.
  2. Descrição técnica completa do produto: modelo, materiais, componentes e esquema do circuito elétrico, caso exista.
  3. Fotografias nítidas do produto, da chapa de características, do rótulo identificativo e da embalagem.
  4. Fatura comercial e lista de embalagem, com correspondência dos nomes dos modelos em todos os documentos.
  5. Prova da relação com a marca, caso o produto seja comercializado com a marca do importador.
  6. Dados legais da fábrica e a sua morada efetiva.

Quem emite a marcação CE e pode a fábrica emiti-la sozinha?

A marcação CE não é um certificado emitido por uma entidade pública, mas uma declaração de responsabilidade aposta pelo fabricante ou pelo importador. Em muitas categorias de baixo risco, o fabricante pode elaborar o processo técnico e emitir ele próprio a declaração de conformidade. Já nas categorias de risco elevado, os regulamentos exigem a intervenção de um organismo notificado (Notified Body), cujo número de identificação figura ao lado da marcação.

Por isso, o «certificado CE» que alguns fornecedores enviam, emitido por um laboratório privado, não significa necessariamente conformidade legal. Verifique sempre o nome do regulamento ou da diretiva europeia aplicada, as normas harmonizadas utilizadas e a existência de uma declaração de conformidade assinada em nome de uma entidade jurídica real.

Que erros frequentes fazem parar as remessas?

  • Certificado de outro modelo: o número de modelo indicado no certificado não corresponde ao que está impresso no produto ou na caixa.
  • Laboratório não reconhecido: relatório de ensaio de uma entidade não acreditada junto do mercado de destino.
  • Certificado caducado: o certificado do produto está válido durante a negociação e caducado no momento do embarque.
  • Esquecimento do certificado da remessa: ficar-se pelo certificado do produto sem emitir o certificado da remessa.
  • Rotulagem incompleta: falta o país de origem, a tensão elétrica, os avisos de segurança ou a língua árabe onde esta é obrigatória.
  • Código pautal errado: um HS Code impreciso altera toda a lista de requisitos.
  • Confiar numa promessa verbal do fornecedor: «do nosso lado está tudo conforme» não é um documento.

Quanto tempo demora a emissão dos certificados e quanto custa?

Os prazos variam muito consoante o produto e o mercado: podem bastar alguns dias para um produto simples com relatórios de ensaio prontos e válidos, e podem ser necessárias várias semanas se for preciso realizar novos ensaios laboratoriais. O custo depende do número de normas exigidas, do número de modelos e do número de ensaios; por isso, agrupe os modelos semelhantes num único processo sempre que os regulamentos o permitam e peça uma proposta detalhada que esclareça o que inclui e o que não inclui.

Lista de verificação antes da contratação

  1. Determine o HS Code correto do produto e o mercado de destino antes de fixar preços.
  2. Pergunte: este produto está abrangido por um regulamento técnico obrigatório no meu mercado?
  3. Peça ao fornecedor os relatórios de ensaio atuais e verifique o modelo, a data de emissão e a norma de referência.
  4. Acorde por escrito quem suporta o custo dos ensaios e dos certificados.
  5. Aprove o modelo do rótulo e da etiqueta identificativa antes da impressão em massa.
  6. Faça do «cumprimento dos requisitos de conformidade» uma condição das cláusulas de pagamento e não uma simples intenção.

Conclusão prática

A conformidade não é um papel que se pede à última hora, mas uma restrição de conceção que começa na escolha dos materiais e do rótulo. Defina primeiro o mercado de destino e o código pautal, obtenha depois a lista de requisitos e ligue-a ao contrato de fornecimento e às fases de inspeção. Na Alshumul Serviços Comerciais tratamos a conformidade como parte do plano da remessa: verificação dos documentos antes da produção, revisão dos rótulos no âmbito da inspeção pré-embarque e articulação com os organismos de avaliação acreditados. A entidade oficial do país de destino continua a ser a referência final no momento do embarque.

Todas as perguntas → Todos os serviços → Todos os artigos →

Perguntas frequentes sobre este tema

O que os clientes mais perguntam antes da primeira expedição ou do primeiro projeto técnico.

Todas as perguntas →

A SASO é a Organização Saudita de Normalização, Metrologia e Qualidade, ou seja, a entidade reguladora que emite os regulamentos técnicos e as normas. O SABER é o sistema eletrónico através do qual os produtos são registados e são emitidos o certificado de conformidade do produto e, em seguida, o certificado de conformidade da remessa. Em resumo: a SASO é a entidade e o SABER é a plataforma onde os procedimentos são executados.

A marcação CE diz respeito ao mercado europeu e não dispensa automaticamente os requisitos do Golfo. Os relatórios de ensaio a ela associados podem ser aceites como prova de apoio se estiverem conformes à norma exigida e provierem de um laboratório reconhecido, mas o certificado legalmente exigido continua a ser o do sistema do país de destino, como o SABER na Arábia Saudita ou o ECAS nos Emirados Árabes Unidos.

Não há uma regra fixa: é um ponto negocial. Muitas fábricas chinesas dispõem de relatórios de ensaio anteriores para os seus modelos padrão e suportam esse custo dentro do preço, ao passo que os ensaios relativos a um produto personalizado ou à marca do importador recaem, em regra, sobre o comprador. Inscreva a cláusula de forma expressa no contrato antes do início da produção para evitar litígios.

O resultado habitual é a paragem do desalfandegamento e a acumulação de taxas de permanência e de armazenagem, seguindo-se uma regularização por via de um procedimento excecional, se o sistema o permitir, a reexportação ou a destruição nos casos perigosos. Resolver o problema depois da chegada é muito mais lento e caro do que tratar dele previamente, e é por isso que a conformidade se conclui sempre antes do embarque.

Não. O certificado de conformidade comprova o cumprimento dos requisitos legais mínimos de segurança, rotulagem e desempenho, e nada diz sobre a robustez do produto, o seu acabamento ou a sua correspondência com a amostra que aprovou. São precisas as duas coisas: conformidade regulamentar para entrar no mercado e inspeção de qualidade para confirmar que o que foi embarcado é o que comprou.

Não. Aplica-se a categorias específicas abrangidas pelos regulamentos técnicos do Golfo, com destaque para os aparelhos elétricos de baixa tensão e os brinquedos. A marcação é aposta no produto e na embalagem segundo requisitos escritos quanto à dimensão, à posição e à nitidez da impressão. Confirme a categoria do seu produto e o respetivo código pautal junto da entidade competente antes da produção, porque as listas abrangidas são atualizadas periodicamente e podem mudar de ano para ano.

Artigos relacionados