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IMPORTAR DA CHINA

Importar calçado e botas militares da China: materiais, normas, transporte e o papel da Alshumul

O essencial

Um sapato descreve-se por três elementos: o material da gáspea, o material da sola e o método de os unir — colagem, injeção direta ou costura Goodyear. O fabrico concentra-se em Fujian (Jinjiang, para o calçado desportivo), Guangdong (Dongguan e Guangzhou) e Zhejiang (Wenzhou, para o calçado de couro). As botas militares e o calçado de segurança definem-se por especificações verificáveis em ensaio: sola resistente ao escorregamento e aos óleos, biqueira de aço ou compósita que resiste a 200 J segundo a EN ISO 20345, e impermeabilidade comprovada por relatório. O fornecimento a entidades militares ou de segurança pode estar sujeito a licenças no país de destino, que devem ser verificadas antes de contratar.

Par de botas militares de couro castanho, de cano alto, com atacadores e fivelas laterais, sobre fundo branco
Foto: Nikodem Nijaki; derivative work: Bobek · com licença CC BY-SA 3.0 · Fonte

Um sapato é um produto mais técnico do que parece: uma forma que define o tamanho e o conforto, uma gáspea de couro, tecido ou material sintético, uma sola cujo material determina a duração, o peso e a resistência ao escorregamento, e um método de união entre as duas que separa o sapato que dura anos daquele cuja sola se descola ao fim de um mês. Nas botas militares e no calçado de segurança, tudo isto se transforma em especificações verificáveis em ensaio segundo normas internacionais, porque aqui o calçado é um equipamento de proteção e não uma peça de moda.

Esta página abrange o calçado de uso diário e desportivo, as botas militares e táticas e o calçado de segurança profissional. O vestuário — incluindo o vestuário de trabalho de alta visibilidade — tem a página Vestuário, e os cintos e as mochilas estão em Acessórios.

Onde se fabrica calçado na China?

O fabrico de calçado concentra-se em Fujian, Guangdong e Zhejiang, com uma especialização clara: Fujian para o calçado desportivo, Guangdong para a exportação e o calçado de senhora, e Zhejiang para o calçado de couro de homem e o calçado injetado.

  • Fujian: Jinjiang, em Quanzhou, é a capital do calçado desportivo na China e sede de grandes marcas desportivas chinesas, e Putian é um vasto centro de fabrico de calçado desportivo por conta de terceiros.
  • Guangdong: Dongguan — e, em particular, a vila de Houjie — é um centro de fabrico de calçado para exportação e de componentes e máquinas para a indústria; Guangzhou tem mercados grossistas de calçado e fábricas de calçado de senhora; e Huidong, em Huizhou, dedica-se ao calçado de senhora e às sandálias económicas.
  • Zhejiang: Wenzhou, para o calçado de couro de homem, e Wenling, em Taizhou, para o calçado injetado, o calçado leve e os chinelos.
  • Sichuan: Chengdu é um centro conhecido de calçado de senhora.

As botas militares e táticas e o calçado de segurança têm fábricas menos numerosas e mais especializadas, distribuídas por Fujian, Guangdong, Shandong e outras províncias. Aqui, o critério de escolha não é a região, mas a capacidade de ensaio da fábrica: tem laboratório interno para a força de colagem e a flexão, e dispõe de relatórios de laboratórios independentes segundo a norma que exige?

Que materiais e métodos de fabrico se usam no calçado?

Um sapato descreve-se por três elementos, sem os quais nenhuma cotação está completa: o material da gáspea, o material da sola e o método de união entre ambos. Trocar qualquer um deles por um material mais barato altera ao mesmo tempo o preço e a duração, pelo que cada elemento se escreve pelo nome e não por uma descrição:

ElementoOpções comunsO que escrever na especificação
GáspeaCouro natural flor integral ou crosta, microfibra, PU, malha (mesh), lona, nylon de alta densidadeTipo de couro, camada e espessura em milímetros, ou densidade do tecido, como 1000D
EntressolaEVA, Phylon (EVA comprimido), PUDensidade, dureza e peso do par
Sola exteriorBorracha natural ou sintética, borracha nitrílica, TPR, PU, PVCMaterial, resistência à abrasão e, quando necessário, resistência aos óleos e ao escorregamento
Método de fabricoColagem, vulcanização, injeção direta, costura GoodyearO método pelo nome, com uma força mínima de colagem da sola
Biqueira de proteçãoAço, compósita (fibra de vidro, carbono ou plástico técnico), alumínioMaterial e nível de proteção em joules, segundo a norma exigida

Cada método tem a sua lógica: a colagem é a mais comum no calçado desportivo e de senhora e a mais barata, e a sua qualidade depende da cola e da preparação da superfície. A vulcanização usa-se nos sapatos de lona com sola de borracha. Na injeção direta, a sola é injetada sobre a gáspea dentro do molde e as duas fundem-se sem cola — é comum no calçado de segurança e de trabalho. Já a costura Goodyear une a sola através de uma vira costurada: é mais pesada e mais cara, mas mais resistente e permite trocar a sola, pelo que é a preferida nas botas militares de alta resistência.

Linha de produção numa fábrica de calçado, com postos de trabalho, operários e caixas de componentes de calçado
Foto: ninahale · com licença CC BY 2.0 · Fonte

Que especificações têm as botas militares e táticas?

A bota militar define-se pela resistência às condições, não pelo aspeto: gáspea de couro flor integral com painéis de nylon de alta densidade, sola de borracha resistente ao escorregamento, aos óleos e ao calor, cano que apoia o tornozelo, impermeabilidade comprovada por ensaio e, se for exigida, biqueira de proteção de nível definido. As especificações a escrever no contrato:

  • Gáspea: couro flor integral de espessura definida — nas botas militares, muitas vezes entre 1,8 e 2,2 mm —, com painéis de nylon de densidade como 1000D nos modelos mais leves, e couro com tratamento hidrófugo prévio.
  • Sola: borracha resistente aos óleos e aos combustíveis, com piso profundo que expulsa a lama, e resistente ao calor por contacto se o uso for no deserto ou junto a equipamentos quentes.
  • Impermeabilidade: couro tratado com língua de fole unida às laterais, que impede a entrada de água e areia, ou membrana interior impermeável que deixa sair o vapor. Comprova-se por ensaio e não por descrição: penetração de água na gáspea sob flexão, ou imersão do calçado completo.
  • Biqueira: de aço ou compósita nas botas táticas pesadas e no calçado de segurança, ou sem biqueira de proteção nas botas de combate leves, que privilegiam o peso e a flexibilidade.
  • Guarnições: ilhoses e ganchos resistentes à corrosão, fecho de correr lateral de marca conhecida se for pedido, e linha de nylon de alta resistência.
  • Cor: preto, areia ou «coyote», num tom aprovado por amostra, porque a variação de tom entre lotes costuma ser motivo de rejeição nas encomendas de entidades.

Quando a entidade compradora exige uma especificação militar do tipo MIL-SPEC ou uma especificação nacional própria, a referência é o número e a edição da especificação no caderno de encargos, e não o catálogo da fábrica. Peça relatórios de ensaio que citem a própria especificação pelo número, confirme que foram emitidos por um laboratório independente e não aceite a expressão «conforme às especificações militares» sem número.

O que é a norma EN ISO 20345 para calçado de segurança e quais são as suas categorias?

A EN ISO 20345 é a norma internacional do calçado de segurança: exige uma biqueira de proteção que resista a um impacto de 200 J e a uma compressão de 15 kN, e classifica depois o calçado em categorias que indicam a proteção adicional. É acompanhada por duas normas: a EN ISO 20346, para calçado de proteção com biqueira de 100 J, e a EN ISO 20347, para calçado de trabalho sem biqueira de proteção. Nos Estados Unidos, a norma para calçado com biqueira de proteção é a ASTM F2413. Estas são as principais categorias:

CategoriaO que acrescentaUtilização típica
SBRequisitos básicos, incluindo a biqueira de proteçãoAmbientes secos, apenas com risco de queda de objetos
S1Zona do calcanhar fechada, propriedades antiestáticas e absorção de energia no calcanharArmazéns e fábricas secos
S2O mesmo que S1, mais resistência da gáspea à penetração e absorção de águaAmbientes com salpicos ou limpeza húmida
S3O mesmo que S2, mais resistência da sola à perfuração e sola com relevoEstaleiros de construção e obras
S6O mesmo que S2, mais resistência do calçado completo à água (edição de 2022)Trabalho prolongado em ambiente molhado
S7O mesmo que S3, mais resistência do calçado completo à água (edição de 2022)Locais a descoberto e com chuva

À categoria juntam-se símbolos de proteção adicional consoante o ambiente de trabalho, sendo os mais conhecidos: P, para a resistência à perfuração da sola com palmilha metálica — na edição de 2022, a palmilha não metálica passou a ser identificada por PL ou PS, consoante o diâmetro do prego usado no ensaio —; HRO, para a sola que resiste ao contacto com uma superfície a 300 °C; CI e HI, para o isolamento do frio e do calor; WR, para a resistência do calçado completo à água; M, para a proteção do metatarso; e FO, para a resistência da sola aos combustíveis e óleos.

A resistência ao escorregamento merece atenção: na edição de 2011 era identificada por SRA, SRB e SRC; na edição de 2022, o ensaio de escorregamento em ladrilho cerâmico com solução detergente passou a ser um requisito básico, e foi acrescentado o símbolo SR para um ensaio adicional em superfície com glicerina. Se a fábrica lhe indicar um símbolo, pergunte: segundo que edição da norma? E peça o relatório que o comprova. As edições são atualizadas, pelo que deve verificar a edição adotada no país de destino antes da produção.

O que verificar antes de fornecer calçado a entidades militares ou de segurança?

O fornecimento de calçado e equipamento a entidades militares ou de segurança pode estar sujeito a condições e licenças específicas no país de destino, e a sua verificação vem antes do contrato com a fábrica, e não depois. Alguns países exigem a qualificação do fornecedor ou uma licença de importação específica para o equipamento destinado a estas entidades, outros restringem a importação do que reproduz o uniforme oficial ou leva emblemas e insígnias das forças, e a entidade compradora pode exigir inspeção ou aprovação da amostra antes do embarque.

  • Verifique os requisitos junto da autoridade competente do seu país ou de um consultor jurídico antes de assinar — a Alshumul não presta aconselhamento jurídico.
  • Não imprima o emblema ou a insígnia de uma entidade oficial na mercadoria sem autorização escrita dessa entidade.
  • Distinga a bota tática civil, vendida a particulares, a empresas de segurança privada e a praticantes de caminhadas, do fornecimento a uma entidade oficial com caderno de encargos: cada um segue um percurso diferente.
Bota de segurança preta de cano alto e, ao lado, o outro pé virado ao contrário, a mostrar a sola de borracha ranhurada antiderrapante
Foto: Francis Flinch · com licença CC BY 3.0 · Fonte

Como se ajustam os tamanhos de calçado entre os diferentes sistemas?

Adote o comprimento do pé em milímetros como referência única, e não apenas os números europeus ou americanos, porque a conversão entre eles não é uniforme entre fábricas. O sistema chinês exprime o comprimento do pé em milímetros — o tamanho 250 corresponde a um pé de 25 cm —, o europeu usa uma unidade equivalente a dois terços de centímetro, o americano e o britânico usam outras, e as tabelas de conversão podem diferir em meio número ou mais de uma fábrica para outra.

  • Peça uma tabela que ligue cada tamanho ao comprimento do pé e ao comprimento interior do sapato, em milímetros.
  • Defina a largura: uma forma estreita não serve a muitos consumidores e é motivo de devolução tão frequente como o comprimento.
  • Aprove a forma com amostra: é a forma que define realmente o tamanho e o conforto, e mudá-la entre a amostra e a produção muda tudo.
  • Defina a grelha de tamanhos consoante o seu mercado; no calçado de homem, normalmente entre o 39 e o 45 europeus, com a quantidade concentrada nos tamanhos intermédios.

Que inspeções e ensaios são importantes no calçado?

O ensaio mais importante em qualquer sapato é a força de colagem da sola à gáspea, porque o descolamento da sola é o defeito mais frequente do calçado e o que mais prejudica a reputação do vendedor. A par dele:

  • Resistência à flexão: dobrar a sola e a gáspea milhares de vezes, para ver se aparecem fissuras.
  • Resistência à abrasão: quanto material a sola exterior perde sob fricção.
  • Substâncias restritas: o crómio hexavalente no couro curtido ao crómio, limitado na União Europeia a 3 mg/kg nos artigos de couro em contacto com a pele; os corantes azoicos; e o DMFu, antibolor proibido na Europa depois de ter causado alergias cutâneas em utilizadores de calçado e mobiliário tratados com ele.
  • Inspeção da produção: correspondência entre os dois pés do par no tamanho e na cor, alinhamento das costuras, restos de cola visíveis, limpeza do calçado e integridade da caixa.

Como o calçado se inspeciona por pares e por tamanhos, faça com que o plano de inspeção pré-embarque inclua amostras de cada tamanho e cor, com um nível de aceitação claro, como em Inspeção pré-embarque e critérios AQL, e leia o resultado como explica o guia Como ler um relatório de inspeção.

Solas de borracha pretas alinhadas num suporte metálico, numa linha de fabrico de calçado
Foto: ninahale · com licença CC BY 2.0 · Fonte

Quais são os riscos comuns na importação de calçado?

Os maiores riscos no calçado são a contrafação, o bolor, a diferença entre amostra e produção no material e na forma, e as alegações de conformidade com normas sem relatórios.

  • Contrafação: o calçado desportivo é um dos artigos mais contrafeitos do mundo, e o desenho da sola ou das riscas laterais pode estar protegido tal como o logótipo; um envio contrafeito fica sujeito a apreensão e destruição. Consulte Proteção da marca e da propriedade intelectual.
  • Bolor no contentor: o couro, a sola e a cola retêm humidade, e uma viagem marítima por zonas quentes basta para o bolor aparecer. A prevenção passa por secagem completa antes da embalagem, exsicantes autorizados e papéis antibolor isentos de substâncias proibidas.
  • Substituição do material: couro flor integral na amostra e crosta pintada na produção, ou sola de borracha na amostra e TPR na produção. O remédio é uma amostra aprovada cortada, que mostre a secção, e os materiais identificados pelo nome no contrato.
  • Alteração da forma: o sapato de produção sai ligeiramente mais estreito ou mais curto do que a amostra. O remédio é medir os comprimentos interiores na inspeção.
  • Alegações sem relatórios: «biqueira de aço», «antiderrapante» ou «S3» impressos na caixa sem relatório de laboratório — o que, por si só, é motivo suficiente para rejeitar o envio num mercado que exige certificação.

Como se transporta calçado da China?

O calçado em caixa atinge o limite de volume antes do de peso, pelo que o frete se calcula ao metro cúbico, e o contentor mais adequado para grandes quantidades é o de 40 pés high cube. É o volume da caixa do sapato que manda nas contas: um contentor de 40 pés high cube leva alguns milhares de pares de calçado desportivo em caixa, e muito menos botas militares de cano alto, porque as caixas são maiores. O número real depende das dimensões das caixas exteriores, pelo que deve ser calculado a partir da lista de embalagem e não de uma estimativa genérica.

  • Caixa exterior de cartão de parede dupla com um número fixo de pares, com a distribuição de tamanhos escrita no exterior.
  • Enchimento interior que mantém a forma da biqueira, exsicantes e um saco por par.
  • Para pequenas quantidades, grupagem com embalagem mais resistente, porque os volumes são mais manuseados — consulte Grupagem (LCL) e, para o ponto em que compensa passar ao contentor completo, o guia FCL vs. LCL.

A posição pautal situa-se no capítulo 64 do Sistema Harmonizado e depende do material da gáspea e da sola, e o calçado com biqueira metálica de proteção tem subposições próprias. Escreva na fatura uma descrição com o material real, porque a palavra «calçado», sozinha, não chega para uma classificação correta.

Como importar calçado da China?

  1. Defina primeiro a utilização: diária, desportiva, de segurança ou militar — é a utilização que determina a norma e os materiais, antes do design.
  2. Escreva a especificação: material e espessura da gáspea, material da sola, método de fabrico, biqueira de proteção, categoria e símbolos da norma, se aplicável, e tabela de tamanhos em milímetros.
  3. No fornecimento a entidades militares ou de segurança, verifique as condições e as licenças do país de destino antes de qualquer compromisso com a fábrica.
  4. Procure uma fábrica especializada na mesma categoria e peça os seus relatórios de ensaio anteriores; de preferência, faça uma auditoria de fábrica antes da encomenda.
  5. Peça amostras dos tamanhos principais e teste-as calçando-as e medindo-as, com uma amostra cortada que mostre o material e a montagem da sola.
  6. Aprove a amostra e a forma, e assine a ordem de compra com as especificações e os relatórios de ensaio exigidos.
  7. Acompanhe a produção no corte e na montagem da sola, e peça ensaios de colagem em pares da própria produção.
  8. Inspecione antes do embarque com amostras de cada tamanho e cor.
  9. Organize o transporte e reveja os documentos, as posições pautais e os relatórios de ensaio antes da partida do navio; para os percursos de certificação de conformidade, consulte Certificações de conformidade SASO/SABER, ECAS e CE.

O papel da Alshumul na importação de calçado e botas militares

A Alshumul Serviços Comerciais é uma empresa de importação e exportação sediada em Guangzhou, perto dos polos de calçado de Guangdong, e trabalhamos com fábricas de Fujian e Zhejiang quando é lá que está a especialização pretendida. O que fazemos:

  • Pesquisa e verificação de fábricas especializadas: uma fábrica de calçado desportivo não é uma fábrica de calçado de segurança, e distinguimos a fábrica que tem linha de injeção ou de costura do intermediário que passa a encomenda a outros.
  • Auditoria e visita à fábrica: linhas de fabrico, laboratório interno, e relatórios de ensaio anteriores segundo a norma exigida, com a respetiva origem.
  • Pedido e acompanhamento de amostras, e sua comparação com a especificação escrita antes da aprovação.
  • Negociação direta com a fábrica, em chinês, dos materiais, da forma, da categoria e dos símbolos da norma, e do preço.
  • Acompanhamento da produção e inspeção pré-embarque: colagem, costuras, tamanhos e embalagem, com relatório fotográfico antes do carregamento.
  • Organização do transporte em contentor completo ou grupagem, através de companhias de navegação e consolidadores, revisão dos documentos antes da partida do navio e acompanhamento até ao porto de descarga.

Nas encomendas para entidades militares e de segurança, em particular, verificar as licenças e as condições de fornecimento no país de destino é responsabilidade do importador, junto da autoridade competente ou do seu consultor jurídico, e o nosso papel começa do lado da fábrica, depois de o enquadramento legal estar definido. O desalfandegamento no país de destino está fora do âmbito dos nossos serviços.

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Perguntas frequentes sobre este tema

As perguntas mais frequentes antes de importar da China: custos, fábricas, qualidade, envio e pagamento.

O fabrico de calçado concentra-se em Fujian, Guangdong e Zhejiang. Em Fujian, Jinjiang é a capital do calçado desportivo e Putian fabrica-o por conta de terceiros; em Guangdong, Dongguan dedica-se à exportação e aos componentes para a indústria, e Guangzhou e Huidong ao calçado de senhora; em Zhejiang, Wenzhou produz calçado de couro de homem e Wenling calçado injetado; e Chengdu, em Sichuan, é um centro de calçado de senhora. As botas militares e o calçado de segurança têm fábricas mais especializadas, e o critério de escolha é a capacidade de ensaio da fábrica, não a região.

A colagem é o método mais comum no calçado desportivo e de senhora e o mais barato, e a sua qualidade depende da cola e da preparação da superfície. A vulcanização usa-se nos sapatos de lona com sola de borracha. Na injeção direta, a sola é injetada sobre a gáspea dentro do molde e as duas fundem-se sem cola; é comum no calçado de segurança e de trabalho. A costura Goodyear une a sola através de uma vira costurada: é mais pesada e mais cara, mas mais resistente e permite trocar a sola, pelo que é a preferida nas botas militares de alta resistência.

O material e a espessura da gáspea — muitas vezes couro flor integral entre 1,8 e 2,2 mm, com painéis de nylon de alta densidade —, o material da sola e a sua resistência ao escorregamento, aos óleos e ao calor, o método de fabrico, o tipo e o nível da biqueira de proteção, se for exigida, a impermeabilidade com o respetivo método de ensaio, o tipo de guarnições metálicas e a cor, com amostra aprovada. Se a entidade compradora exigir uma especificação do tipo MIL-SPEC ou uma especificação nacional, a referência é o número e a edição dessa especificação, com relatórios de ensaio independentes que a citem pelo nome.

São categorias da norma EN ISO 20345, que exige uma biqueira de proteção que resista a 200 J. A categoria S1 acrescenta aos requisitos básicos zona do calcanhar fechada, propriedades antiestáticas e absorção de energia no calcanhar; a S2 acrescenta a isso a resistência da gáspea à penetração e absorção de água; e a S3 acrescenta à S2 a resistência da sola à perfuração e uma sola com relevo. Na edição de 2022, foram acrescentadas as categorias S6 e S7, para a resistência do calçado completo à água. Pergunte sempre pela edição da norma e peça o relatório.

Ambas têm de passar o mesmo ensaio de 200 J da EN ISO 20345, pelo que a diferença está na utilização e não no nível de proteção certificado. A de aço é mais barata e mais fina, mas mais pesada, transmite o frio e o calor e faz disparar os detetores de metais; a compósita, de fibra de vidro, carbono ou plástico técnico, é mais leve, não transmite o calor e não faz disparar os detetores, mas é um pouco mais volumosa e, em regra, mais cara. Escolha consoante o ambiente de trabalho: aeroportos e instalações de segurança tendem a preferir a compósita.

Pode precisar. O fornecimento de calçado e equipamento a entidades militares ou de segurança pode estar sujeito a condições e licenças específicas no país de destino, como a qualificação do fornecedor, uma licença de importação específica ou restrições ao que reproduz o uniforme oficial ou leva emblemas das forças. Essa verificação faz-se junto da autoridade competente ou de um consultor jurídico, antes de contratar a fábrica. Já a bota tática civil, vendida a particulares e a empresas de segurança privada, segue em regra o percurso do calçado comum, mas também deve ser verificada.

Com um relatório de ensaio e não com uma descrição de catálogo. A resistência da gáspea ensaia-se pela penetração e absorção de água sob flexão repetida, e a resistência do calçado completo ensaia-se fazendo-o trabalhar dentro de água ou mergulhando-o, correspondendo-lhe o símbolo WR na EN ISO 20345. Veja também a construção do próprio sapato: couro com tratamento hidrófugo prévio, língua de fole unida às laterais que impede a entrada de água e areia, ou membrana interior impermeável que deixa sair o vapor. E peça que o ensaio seja feito num par da própria produção, e não apenas na amostra.

Tornando a força de colagem da sola à gáspea uma condição escrita, ensaiada em pares da própria produção e não apenas na amostra, e definindo o método de fabrico pelo nome, porque a injeção direta e a costura Goodyear são mais resistentes do que a colagem em uso intensivo. Acompanhe a produção na fase de montagem da sola, porque a preparação da superfície, a temperatura de ativação e o tempo de prensagem são o que decide a qualidade da colagem, e inspecione antes do embarque com amostras de cada tamanho.

Adote o comprimento do pé em milímetros como referência única. O sistema chinês exprime-o diretamente — o tamanho 250 corresponde a um pé de 25 cm —, enquanto o europeu usa uma unidade equivalente a dois terços de centímetro, e as tabelas de conversão variam entre fábricas em meio número ou mais. Peça uma tabela que ligue cada tamanho ao comprimento do pé e ao comprimento interior do sapato, defina a largura, aprove a forma com amostra e meça os comprimentos interiores na inspeção pré-embarque.

O calçado em caixa atinge o limite de volume antes do de peso, pelo que o frete se calcula ao metro cúbico; para grandes quantidades, o adequado é o contentor de 40 pés high cube, que leva alguns milhares de pares de calçado desportivo em caixa e muito menos botas militares de cano alto. As pequenas quantidades seguem em grupagem, com embalagem mais resistente. Em todos os casos, os pares são embalados depois de completamente secos e com exsicantes autorizados, porque o couro e a cola retêm humidade e ganham bolor na viagem marítima.

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